Logotipo

O símbolo do Colégio Amor de Deus de Cascais

Dois meses após ter chegado a esta “casa” e integrado o departamento de artes, fui convidada para apresentar uma proposta para uma nova imagem visual do Colégio Amor de Deus de Cascais que, viesse ao encontro da sua identidade. Imagem essa que, de algum modo conseguisse passar para o exterior, aquilo que o Colégio é na sua essência. Uma instituição católica, sólida, com fins educativos e humanos, presente e activo na actualidade e que aposta forte no futuro de consecutivas gerações.

Nessa altura, pouco sabia sobre esta casa e talvez por isso me tenha sido mais fácil partir do nível zero, uma vez que estava liberta de vícios visuais de símbolos anteriores que o Colégio tivesse adoptado.

Assim, o meu primeiro passo foi entender o conceito do projecto que tinha em mãos, o que se traduziu no aprofundar do meu conhecimento, relativo aos ideais da Congregação das Religiosas do Amor de Deus e os seus propósitos enquanto instituição educativa.

Paralelamente, senti necessidade de aprofundar também, os meus conhecimentos em termos de comunicação visual, sobretudo no que diz respeito, à criação de um símbolo e da sua finalidade.

Conclui que, o símbolo tem como finalidade, a “identificação visual de uma empresa, uma instituição, um produto, um evento… Deve possuir uma imagem forte, de fácil memorização e na sua forma transmitir o conceito que representa.” [1]

Também que, a sua criação depende de três factores: “A originalidade; A expressividade associada ao produto; E o poder de memória que a imagem adquire; passando o seu processo criativo por um conceito; por uma imagem; pelas suas cores.” [2]

Com base destes dois pilares de construção de um logótipo, parti então para as diferentes fases da metodologia projectual:

1. Pesquisa e análise dos símbolos da Congregação e do Colégio do Amor de Deus de Cascais.

    

 

1.1) em termos de significantes, ideias/conceitos e significados, cheguei ao seguinte paralelismo:

– O livro/pergaminho – o saber;

– A cruz – a religião católica;

– O ramo de oliveira – a paz;

– O escudo/brasão – a Congregação;

– O texto – “O Amor de Deus faz Sábios e Santos”.

 

1.2) em termos formais:

– a linha em espiral – introspecção;

– a triângulo assente num vértice – desequilíbrio;

– as linhas orgânicas – a proximidade com o que é natural e genuíno.

 

1.3) em termos de cor:

– os azuis – associados à tranquilidade, à frescura, e à água;

– o branco – associado à luz e à paz.

 

2. Pesquisa e análise dos símbolos contemporâneos, nomeadamente em termos: académicos, públicos, empresas e ainda relativos a eventos.

 

3. Fase criativa, de elaboração de esboços e maquetas que me permitiu analisar diferentes soluções, de encontro ao conceito inicial e às minhas opções de projecto, que foram relativamente à:

3.1 Função pictórica e simbólica, um enriquecer a marca no seu reconhecimento e conferir-lhe uma forte componente emotiva. A adopção do quadrado como símbolo de unidade, estabilidade, equilíbrio e protecção; O rectângulo, resultante da transformação do quadrado acrescentando um crescimento vertical; A curva sinuosa, como que o saber adquirido em todos os domínios e ao longo da vida cheia de obstáculos, nos orienta rumo a uma paz universal (o ramo de oliveira); A cruz, traduzida na presença de uma fé cristã.

 

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3.2 Aspectos formais. A adopção na sua maioria de formas geométricas simples, como o quadrado, o rectângulo e a linha diagonal, traduzida esta ultima numa forma tendencialmente mais orgânica.

3.3 Peso e direcção. Reconhecer o peso fortemente marcado pela imagem estática e cheia do polígono regular, bem como a existência de uma direcção predominante de leitura e condução do olhar, de encontro à globalidade da imagem. Percorrer todos os signos da imagem através de um movimento diagonal, no sentido descendente e da esquerda para a direita, até se voltar a subir mesmo na vertical, terminando com a identificação do Colégio.

 

3.4 Dualidade da imagem. Possibilitar a aplicação tanto em fundos escuros como em fundos claros. Surge a imagem positiva e negativa do logótipo.

 

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3.5 Cores. Optar por manter as cores já existentes na versão anterior do logótipo, uma vez estarem de acordo com o conceito de projecto. O uso de uma cor – o azul, em oposição à ausência de cor – o branco, reduz os custos em termos de impressão, e facilita a linguagem em termos de comunicação visual, reduzindo o ruído.

 

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3.6 Letras. Adopção de uma letra de identificação do Colégio, com fácil legibilidade, mas com alguma flexibilidade. Expressiva e dinâmica, mais uma vez enfatizando a identidade com o Colégio. Para todos os outros documentos de texto corrido, externos e internos, adoptei igualmente uma fonte de fácil legibilidade e de carácter mais comercial.

 

4. Fase técnica do projecto consistiu, na regulamentação e dimensionamento do logótipo, afinação das suas cores e definição final dos letterings O resultado foi compilado num Manual de Identidade Visual, onde estão também todas as regras de boa e má utilização do logótipo, de modo a facilitar o seu uso por parte de todos os funcionários desta casa e da gráfica contratada para a impressão dos diferentes documentos, como por exemplo, o papel de carta, envelopes, cartões, etc.

Para concluir, relembro que, para adopção de uma identidade visual coerente e uniforme, é indispensável a rigorosa colaboração de todos, garantindo a qualidade e sucesso da implementação das novas normas de utilização deste Símbolo.

Parece-me ainda pertinente, levar-vos a reflectir sobre o modo como desenhamos, pois talvez isso vos ajude a compreender o processo acima descrito, de algum modo, referido no seguinte excerto:

“No princípio”, diz o livro da Génese, “ a Terra era sem forma e vazia.”

“Para um individuo do século XX, é difícil imaginar um vazio, um caos, pois ele aprendeu que um tipo de ordem parece prevalecer tanto no que é infinitamente pequeno quanto no que é infinitamente grande.

A consciência de que não existem elementos casuais ao redor ou dentro de nós, mas de que toda a matéria (inclusive a mental) obedece a uma composição ordenada, leva a pensar que até o traço ou o rabisco mais inocente não pode existir acidentalmente, por puro acaso, mesmo que o observador não reconheça claramente as causas, a origem e o motivo desse ‘desenho.” [3]

Professora Clara Berger

 

 

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[1] Dias, Suzana; Lage, Alexandra; Desígnio 2 – Teoria do Design 11.º/12.º anos; Porto Editora; Porto; 2003.
[2] Parramón, José M.; 1991.
[3] Frutiger, Adrian; Sinais & Símbolos – Desenho, projecto e significado; Livraria Martins Fontes Editora; São Paulo; 1ª edição: Setembro 1999.